Fim de ano e doenças do coração

Estamos no ultimo mês do ano e com ele trazemos tudo o que vivemos no ano de 2017. Nossas alegrias, momentos de lazer, viagens, festas, tristezas, decepções, perdas materiais e de pessoas queridas. Somos levados a relembrar todas essas coisas, fazemos uma análise de tudo que vivemos e nos programamos para mudanças à partir de janeiro. Tudo isso somado à sobrecarga (estafa) de um ano intenso são gatilhos que geram estresse e ansiedade. De certo, sabemos que as situações e expectativas vindouras, assim como as lembranças geram ansiedade que a princípio pode ser boa, pois nos coloca em uma posição de tomada de decisão e nos levam a fazer algo. Portanto esses estímulos são saudáveis, pois nos tiram da inércia. Contudo, nossa reação a todas essas coisas pode ser exacerbada, ou seja, muito acima do necessário, gerando estresse e ansiedade desmedidos.

Vastos dados na literatura médica mostram como a ansiedade/estresse excessivos podem levar a alterações no nosso corpo e o coração também pode sofrer com isso. Nessas condições, são liberadas muitas substâncias no nosso organismo, como as catecolaminas e o cortisol que provocam alterações no sistema cardiovascular. As catecolaminas agem aumentando os batimentos e a força do músculo do coração, além de aumentar a pressão arterial. O cortisol leva a uma série de mudanças, dentre as quais podemos destacar a elevação da pressão arterial, alterações na diurese (urina), no sono (insônia), nos sentidos, no humor, além de ação reduzindo o número das células de defesa (imunidade).

Com todos esses mecanismos descritos acima e outros relacionados, a ansiedade/estresse de fim de ano pode aumentar a incidência de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico (derrame cerebral), quadros agudos de elevação da pressão arterial e arritmias. Isso se torna mais preocupante nos casos de pacientes que já possuem alguma doença no coração e também aqueles que tem e ainda não sabem. Já é sabido que no fim de ano, epóca das festas, existe um pico no número de atendimento de pacientes em unidades de emergencia e até internações, como resultado dessas ocorrências. Outro dado interessante é a frequencia de casos de pacientes com sintomas que mimetizam, isto é, parecem doenças graves (dor no peito, palpitações e falta de ar), mas na verdade são consequencia do estresse/ansiedade.

Não podemos negar o potencial motivacional que a ansiedade controlada pode gerar, assim como os danos a saúde física e mental que a mesma ansiedade (patológica) pode ocasionar. Na verdade, não podemos nem devemos deixar de aproveitar as festividades deste fim de ano, encontro com a família e amigos, nos permitir vivenciar essas emoções, espectativas para o próximo ano, etc. Precisamos apenas, estar atentos aos sintomas que sugerem doenças do coração e principalmente tomar medidas para melhor gerenciamento do estresse e da ansiedade.