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Futuros Pacientes

futuros-pacientes-2Os adolescentes hoje são os nossos futuros pacientes. Essa é a conclusão a que nós, cardiologistas, chegamos devido ao alto índice de consumo de energéticos por este grupo. Os energéticos estão se tornando tão habituais que em algumas festas infantis ou infanto-juvenis vem sendo servidos como uma opção ao refrigerante. E cada vez mais isso é visto e confirmado quando perguntado a alunos de escolas particulares da grande cidade de São Paulo.
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Sedentarismo, o mal do século

Sedentarismo é a ausência ou redução de atividade física ou esportiva de um indivíduo. Sabemos que a pessoa fisicamente ativa tende a ser mais saudável, com maior qualidade e expectativa de vida.

As últimas pesquisas de 2016 constataram que temos no Brasil 46% de sedentários. E que desses, os homens são o maior número comparados com as mulheres. As maiores taxas de sedentarismo são encontradas entre os indivíduos de baixa escolaridade. O crescimento global e o tempo escasso exercem impacto direto sobre os índices do sedentarismo assim como o estresse do dia a dia.
O IBGE afirma que 100 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não praticam esportes no Brasil. Assim observamos que, conforme nossa população cresce, maior é o índice do sedentarismo.

Dados de sedentarismo mundial:

  • Brasil: 45,9%
  • SP: somente 30,7% praticam atividade física.
  • RJ: 41% praticam atividade física.
  • BRASILIA: 52,1% praticam atividade física.
  • EUA: 40,5%
  • Portugal: 53%
  • Argentina: 68,3%

Sabemos que o sedentarismo não é uma doença, mas é um hábito que resulta em várias doenças. Por isso, é considerado o mal do século e devemos combatê-lo desde a infância.

Os pais e a família são o alicerce da educação de atividade física no cotidiano, evitando assim o desenvolvimento precoce de inúmeras doenças.

Os grandes benefícios de deixar de ser sedentário são muitos: maior disposição; relaxamento; menos stress; redução de sintomas na menopausa; redução de alergia em crianças; redução de infecções; renovação cerebral (pois quem não se exercita, antecipa atrofia cerebral precoce); fortalecimento músculo esquelético (reduzindo assim fraturas e risco de quedas); aumento do rendimento escolar; redução do risco de maus hábitos como uso de tabaco, álcool e drogas; redução da pressão arterial; melhor qualidade da relação sexual; redução do declínio da capacidade cognitiva; etc.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, atividade física é qualquer movimento corporal produzido pelos músculos que resulta em gasto energético.

Nossa Sociedade Brasileira de Cardiologia comprova os inúmeros benefícios da prática regular e progressiva de exercícios físicos,. Sendo assim, recomenda-se exercícios conforme a faixa etária:

  • Faixa etária de 5 a 17 anos: são recomendados jogos, brincadeiras, recreação, educação física de pelo menos 60 minutos com intensidade moderada a alta intensidade e pelo menos 3 vezes por semana.
  • Adultos 18 a 64 anos: são recomendados passeios, dança, jardinagem, natação, caminhar, pedalar, jogos esportivos ou exercícios planejados. Os exercícios devem ser de ao menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica de moderada intensidade ou 75 minutos de alta intensidade.
  • Maiores de 65 anos: são recomendadas todas as atividades acima associadas às atividades de aptidão com exercícios aeróbicos combinados com os de força muscular, alongamentos, flexibilidade e equilíbrio.

É importante que todos sejam avaliados por um profissional visando identificação ou suspeitas de doenças cardiovasculares, para que cada perfil e biótipo receba a orientação adequada para a realização de atividade física. Não existem contraindicações à prática de atividade física, mas sim orientações adicionais para cada caso como cardíacos; gestantes; mulheres no período pós-parto, assim como adultos inativos ou aqueles que tenham alguma deficiência física ou mesmo limitação física.

Nós somos todos capazes de instituir a atividade física em nosso meio familiar para assim conseguirmos mudar de estilo de vida, gozando de todos os seus benefícios e almejando acabar com o mal do século.

vida saudável

Vale a pena adotar um estilo de vida saudável?

vida saudávelMuitos pacientes no consultório me questionam sobre os reais benefícios de uma vida saudável. Alguns falam: “meu avô morreu aos 90 anos, comia de tudo, bebia muito e fumava, porque então vou deixar de fazer isso? ”, outros dizem que preferem levar a vida da forma como querem, mesmo que isso abrevie seus dias. Mas será que este raciocínio é pertinente? Vamos discorrer um pouco a respeito.

Podemos dizer que uma vida saudável é uma vida com qualidade e sentido. Adotar esse estilo de vida, reconhecidamente traz benefícios à saúde presente, pois aumenta a resposta do corpo a certas doenças, melhora a autoestima e o ânimo para as atividades do dia a dia, assim como apresenta muitos benefícios para a saúde futura, prevenindo diversas doenças como as cardiovasculares, osteomusculares, endocrinológicas, metabólicas, psiquiátricas, etc. Isso não significa que quem busca ter um estilo de vida saudável não terá doença alguma, mas em comparação a indivíduos com um estilo de vida não saudável, notadamente tem uma incidência menor de doenças de forma geral e uma resposta melhor àquelas que lhes acometem. Diversos estudos científicos internacionais demonstram isso de forma ampla e confiável há muitas décadas, nos afirmando que a mudança para um estilo de vida mais saudável pode nos trazer vantagens enormes. É claro que no início não é fácil! Deixar para trás hábitos antigos, sair da inércia e da zona de conforto exige uma decisão pessoal firme e uma persistência muito grande. Embora depois de algum tempo, você não saberá mais viver se não for assim e desfrutará de tudo que esse modo de vida pode proporcionar.

Mas quais seriam esses hábitos de vida saudáveis? Na verdade, estes se resumem ao cuidado consigo mesmo, com a sua saúde e o seu bem-estar, que se traduzem principalmente em comer alimentos saudáveis, prática regular de atividade física, controle do peso, cessação do tabagismo, consumo moderado de bebidas alcoólicas, fé e gerenciamento do estresse.

Muitos dizem que não conseguem adotar esses hábitos por não terem tempo, mas se esquecem que tempo todos nós temos o mesmo, só precisamos definir o que é ou não prioridade. Portanto, gerencie melhor seu tempo, coloque isso como prioridade, pare de arrumar desculpas e veja como sua vida vai mudar!

Fim de ano e doenças do coração

Estamos no ultimo mês do ano e com ele trazemos tudo o que vivemos no ano de 2017. Nossas alegrias, momentos de lazer, viagens, festas, tristezas, decepções, perdas materiais e de pessoas queridas. Somos levados a relembrar todas essas coisas, fazemos uma análise de tudo que vivemos e nos programamos para mudanças à partir de janeiro. Tudo isso somado à sobrecarga (estafa) de um ano intenso são gatilhos que geram estresse e ansiedade. De certo, sabemos que as situações e expectativas vindouras, assim como as lembranças geram ansiedade que a princípio pode ser boa, pois nos coloca em uma posição de tomada de decisão e nos levam a fazer algo. Portanto esses estímulos são saudáveis, pois nos tiram da inércia. Contudo, nossa reação a todas essas coisas pode ser exacerbada, ou seja, muito acima do necessário, gerando estresse e ansiedade desmedidos.

Vastos dados na literatura médica mostram como a ansiedade/estresse excessivos podem levar a alterações no nosso corpo e o coração também pode sofrer com isso. Nessas condições, são liberadas muitas substâncias no nosso organismo, como as catecolaminas e o cortisol que provocam alterações no sistema cardiovascular. As catecolaminas agem aumentando os batimentos e a força do músculo do coração, além de aumentar a pressão arterial. O cortisol leva a uma série de mudanças, dentre as quais podemos destacar a elevação da pressão arterial, alterações na diurese (urina), no sono (insônia), nos sentidos, no humor, além de ação reduzindo o número das células de defesa (imunidade).

Com todos esses mecanismos descritos acima e outros relacionados, a ansiedade/estresse de fim de ano pode aumentar a incidência de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico (derrame cerebral), quadros agudos de elevação da pressão arterial e arritmias. Isso se torna mais preocupante nos casos de pacientes que já possuem alguma doença no coração e também aqueles que tem e ainda não sabem. Já é sabido que no fim de ano, epóca das festas, existe um pico no número de atendimento de pacientes em unidades de emergencia e até internações, como resultado dessas ocorrências. Outro dado interessante é a frequencia de casos de pacientes com sintomas que mimetizam, isto é, parecem doenças graves (dor no peito, palpitações e falta de ar), mas na verdade são consequencia do estresse/ansiedade.

Não podemos negar o potencial motivacional que a ansiedade controlada pode gerar, assim como os danos a saúde física e mental que a mesma ansiedade (patológica) pode ocasionar. Na verdade, não podemos nem devemos deixar de aproveitar as festividades deste fim de ano, encontro com a família e amigos, nos permitir vivenciar essas emoções, espectativas para o próximo ano, etc. Precisamos apenas, estar atentos aos sintomas que sugerem doenças do coração e principalmente tomar medidas para melhor gerenciamento do estresse e da ansiedade.